Denise Faertes

Denise Faertes, vegetariana, gosta de estudar cabala, filosofia e ecologia; aficionada  por arte; engenheira (UFRJ); Mestrado em Planejamento Energético  e Meio Ambiente (COOPE/UFRJ); PhD (University of Sheffield-UK); Designer de moda (Instituto Europeu de Design (IED-RJ), 2016. Cursou Escola de  Artes (EAV -RJ);Gravura (PUC-RJ). Fundou a Fruto do Conde, em conjunto com o designer de produto (ESDI-RJ) e cenógrafo – Gil Haguenauer. 
 
A Fruto do Conde propõe-se a criar peças de vestuário e acessórios atemporais,com conceito e design exclusivos. Procura utilizar tecidos e materiais de boa qualidade, sem esquecer a busca por aqueles sustentáveis. Muitas das peças de vestuário incluem pinturas à mão livre.
“A idéia é trazer arte e carinho para aquilo que confeccionamos”, dizem os designers.

A Fruto do Conde tem participado regularmente dos mais bem qualificados eventos do Rio de Janeiro, tais como, o  Veste Rio, o Coletivo Carandaí (Gávea), e recentemente, tivemos a oportunidade de realizar um desfile, com dez ‘looks’ para a novela Rocky Story, da TV Globo.

A Marca Fruto do Conde

Neste artigo gostaria de apresentar a vocês um pouco mais sobre a marca que criei, em 2017, em conjunto com o meu marido designer e cenógrafo – Gil Haguenauer – a Fruto do Conde.
É com muito prazer que apresentamos a nossa nova coleção, denominada Crioula, que foi exposta no salão de negócios da última edição do Veste Rio, no Coletivo Carandaí 25, no Village Mall, no final de julho, e também será mostrada no Coletivo Carandaí 25, no Jockey Clube, Rio de Janeiro, de 23 a 26 de agosto, das 13 às 21h. Vale conferir!
Algumas das roupas desta coleção foram tingidas, utilizando a técnica shibori por Cristina Aché – a famosa atriz, musa dos filmes do Nelson Rodrigues, e minha musa também, inesquecível com suas meias três-quartos no filme “Os Sete Gatinhos”. Lembram-se? Pois é, é ela mesma! Além de ótima atriz, tem múltiplos talentos e a nossa parceria no desenvolvimento desta coleção e daquela, que está por vir, e tem sido maravilhosa!
As fotos ficaram lindas, feitas pelo professor de fotografia da PUC – Rodrigo Lopes e pela designer Isabela Lira, com a linda modelo Nathalya Alves. Esperamos que gostem!

SOBRE A MARCA

As peças de moda feminina confeccionadas pela Fruto do Conde são roupas arte.
A marca é voltada para pessoas sem limite de idade, interessadas em roupas com conceito e design exclusivos, de boa qualidade, e com um estilo não ditado pelas tendências passageiras de cada estação.
Muitas das roupas incluem pinturas exclusivas, feitas à mão livre, trazendo a arte para as peças de vestuário.
Para cada coleção é feita uma pesquisa aprofundada sobre o tema e o conceito a serem trabalhados, e nossas coleções são desenvolvidas com muito carinho e cuidado. Somos uma marca “slow fashion”, com tiragem limitada de peças, pois prezamos muito pelo esmero e qualidade do que fazemos.
Várias coleções da Fruto do Conde abordam temas associados à espiritualidade, à religiosidade, ao misticismo, à alquimia e ao surrealismo. Dentre as coleções podemos citar a nova coleção – Coleção Crioula – e coleções anteriores: Arte Sacra, Alquimia e Seres Mágicos, Folclórica.
Já mostramos, no artigo passado, a coleção Arte Sacra, de moda arte medieval contemporânea que trouxe pinturas de anjos, símbolos da fé católica e a evocação da linguagem da cabala para o vestuário.
A coleção Crioula baseou-se na pesquisa do figurino do teatro francês, do vestuário baiano e joalheria crioula do século XVIII. A joalheria inclui a representação de símbolos de proteção espiritual, em conexão com as energias dos orixás, que eram usados como amuletos para a fertilidade, para o evitar de doenças e mazelas, dentre outros benefícios. A tradução desses universos nas peças de vestuário também tem como propósito divulgar a história e cultura brasileiras.
É um prazer poder fazer moda com arte para aquelas pessoas que sabem apreciar o trabalho exclusivo da Fruto do Conde!

NOVA COLEÇÃO – CRIOULA

VESTUÁRIO DE BAIANAS E JOALHERIA CRIOULA

Foto 1 – Mosaico Crioula

A indumentária e o uso de adornos corporais denotam a necessidade de comunicarmos nossas características individuais e coletivas, a busca pelo belo e pela distinção visual.
Na sociedade colonial brasileira, a moda era instrumento de diferenciação social. Negros e pardos, escravizados ou libertos, foram sujeitos a rígidas regras de vestuário, como a proibição do uso de seda, linho e joias, com o intuito de limitar o luxo aos brancos e segregar visualmente a sociedade. (fonte: Cunha, L.; Milz, T., 2011).
O vestuário de baianas e as joias crioulas foram instrumento de identificação e resgate culturais, e afirmação social.
As peças dessa nova coleção trazem pinturas à mão livre dos adornos usados pelas negras do período colonial – pencas de balangandãs, frutas (uvas, romã, caju), peixes e outros itens – símbolos que se referem aos Orixás e às suas características, e são dotados de forte caráter de proteção como, por exemplo, à fertilidade, bem como contra mazelas e perigos. Vale observar que as negras usavam as pencas na cintura para proteger a zona da fertilidade.
As fotos das roupas trazem a descrição de alguns segredos e costumes, associados ao tema escolhido para o desenvolvimento da coleção, traduzidos no design delas e às pinturas incluídas.
Créditos: modelo Nathalya Alves | fotos Rodrigo Lopes | produção fotos Isabela Lira | estilo Denise Faertes | sandálias Jailson Marcos

Foto 2 – Romã Peixe
Casaco de shantung com pinturas de símbolos de proteção, referentes à joalheria crioula. Colete de shantung com fitas pretas e saia de shantung com abertura e laços laterais. Todos com estilo francês do século XVIII.

Foto 3 – Detalhe look Romã Peixe
A penca de balangandãs funcionava como amuleto contra mazelas e perigos. A romã representa Iansã, senhora dos ventos e da tempestade, símbolo da fertilidade e da vida. O peixe simboliza Oxum, fazendo referência ao falo e às águas do nascimento. O caju representa o orixá Xangô, divindade guerreira e deus do trovão. A boneca reproduz broches da joalheria crioula. Pinturas feitas à mão livre.
Acessórios: broche penca reproduz joia crioula; anéis de aço da Fruto do Conde (por Gil Haguenauer); pulseira escultura de Dennis Cross; demais pulseiras de prata de acervo pessoal.

Foto 4 – Penca Espírito Santo
Casaco de jacquard com pinturas de símbolos de proteção, referentes à joalheria crioula. Na frente, penca de balangandãs, que funcionava como amuleto contra mazelas e perigos e o símbolo do Espírito Santo. Na parte traseira, pintura de baiana, do período colonial brasileiro, portando joias crioulas. Colete de shantung com laços de fitas e saia de shantung com abertura e laços laterais. Todos com estilo francês do século XVIII. Pinturas feitas à mão livre.

 

 

Foto 5 – Baiano Crioula
Vestido amplo de veludo com pintura de baiana do período colonial brasileiro, portando jóias crioulas. Pintura feita à mão livre.

Foto 6 – Fita Crioula
Saia rodada de linho pintado à mão, através da técnica shibori, por Cristina Aché e blusa de jacquard com adorno artesanal de fitas.
Um dos acessórios reproduz joia crioula – corrente com penca de balangandãs. A penca é um artefato exclusivamente brasileiro, que funcionava como amuleto contra mazelas e perigos. Era preso à cintura, zona associada à fertilidade. Sandália Jailson Marcos.

Foto 7 – Mosaico Crioula
Saia rodada de organza de seda pintada à mão, através da técnica shibori, por Cristina Aché, e blusa de jacquard com adorno artesanal de fitas.

Foto 8 – Mosaico Cangaço
Saia rodada de organza de seda pintada à mão, através da técnica shibori, por Cristina Aché, e blusa de jacquard estilo cangaço, com adorno artesanal de fitas.
Um dos acessórios reproduz a joalheria crioula – broche com penca de balangandãs, que funciona como proteção contra mazelas e outros males e broche com figura do Padre Cícero, cultuado por Lampião. Artefatos exclusivamente brasileiros.

(por www.rioinformal.com/denise-faertes/)

Visite Fruto do Conde: www.frutodoconde.com

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Religiosidade & Moda

Anjos, santos, batas papais, crucifixos, símbolos religiosos  – a espiritualidade na moda está em cena!

Roupas e acessórios com símbolos religiosos invadem o universo da moda e tornam-se constantes nas passarelas.

A exposição, que recentemente estreou em Nova Iorque, no último dia 7 de maio, noCostume Institute – museu da moda do Metropolitan Museum – confirma essa tendência. O evento, que acontece anualmente, reuniu na Big Apple, estrelas do segmento moda e artistas famosos, que vêm também para a festa – o MET Ball –   cujo tapete vermelho assemelha-se ao dos festivais de cinema. O evento atrai tantas celebridades, que já foi chamado, por alguns, de “cerimônia do Oscar da costa leste americana”.

Os trajes da exposição do MET, cujo tema “Heavenly Bodies: Fashion and Catholic Imagination (Corpos Celestiais: Moda e Imaginação Católica)”inspirou também os trajes da festa, esbanjam exuberância com as quarenta peças, trazidas do Vaticano, e trajes, especialmente femininos, do mundo da alta costura.

Eles estarão abertos à visitação para o público, de 10 de maio a 8 de outubro de 2018. A mostra provê um diálogo entre o mundo da moda e a fé católica. Andrew Bolton, o curador da exposição, comenta “A moda e a religião foram entrelaçadas durante muito tempo. Elas se inspiram e se informam mutuamente”. E continua “Mesmo se essa relação foi complexa e às vezes contestada, ela produziu algumas das criações mais inventivas e inovadoras da história da moda”.

A disputa de atenção se deu com os trajes criados por famosos costureiros e com o desfile de celebridades no tapete vermelho, que surpreendeu a todos pela beleza de alguns e singularidade de outros.  Roupas de cardeais, vestes medievais, batas papais, modelos e estampas inspirados na era dourada da Igreja Católica, a Renascença; muito dourado, brocados, estampas angelicais, de jardins do Éden; imagens religiosas de afrescos (Michelangelo – O Último Julgamento); asas gigantes de anjos; coroas reais, ornamentos religiosos para a cabeça – coroas de espinhos, halos, altares com santos; crucifixos, contas; maquiagem gótica.

Nesses tempos de fé, vale conhecer as peças de vestuário e acessórios com temas religiosos, dentre eles a arte bizantina medieval sacra, criados pela Fruto do Conde, que as tem confeccionado desde 2016. As  peças tem design exclusivo e muitas delas são pintadas à mão livre. Vale conferir!

Vale também misturar blusas com figuras religiosas com calças jeans, feito a Paula Acioli –  coordenadora do curso de Gestão de moda da FGV – na foto comigo, com uma blusa da Fruto do Conde,  sempre chiquérima (!),  ou usar acessórios cheios de amuletos. Fica a dica!

 

 

 

Roupas e acessórios da Fruto do Conde

Foto 1 por Derek Mangabeira; foto 2 por Thayse Lana, modelo Aline Carmo; foto 3 por Thayse Lana, modelo Aline Carmo; foto 4 por Douglas Morsirom; foto 5 por Rodrigo Lopes com produção de Isabela Lira, modelo Carla Nunes; foto 6 por Thayse Lana; foto 7 por Douglas Morsirom.

 

 

 

 

 

 

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