Mãe, primeiro as “crias” !

Dia 13/11 foi lançado no portal de divulgação científica www.deviante.com.br o primeiro texto do Matheus.

Matheus Berlandi “Honda”, Engenheiro de Materiais que não aguenta mais a pergunta sobre o que faz um engenheiro de materiais. Eternamente em dívida com a lista de livros para ler. Fascinado por tecnologia e sociedades. Atualmente tentando gerar conteúdo relevante sobre literatura na internet como desculpa para falar muito sobre os livros que lê!

Capa-Harry-Potter
Está produzindo podcast #1 Filmes para não assistir – Episódio de Qual é a boa?

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”

Precisamos aprender a parar de tutelar o modo com que as pessoas se posicionam diante de determinadas situações, no atual cenário político, e passar a refletir quais os significados e motivos que, muitas vezes, estão implicados na não-solidariedade e no não- lamento como, por exemplo, o acontecimento em que esteve envolvido um dos candidatos à Presidência para próximas eleições.

Segundo a exaustiva publicização da mídia televisionada, um dos presidenciáveis  sofreu um ataque, com arma branca, enquanto fazia campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. Entre as especulações de que seria verdade ou mentira, o ocorrido, algumas pessoas, considerando o tipo de discurso genocida, racista, machista, misógino e LGBTTQIfóbico do candidato em questão, simplesmente, não se sentiram na obrigação de lamentar o episódio. Isso gerou, contraditoriamente(que ironia!), uma espécie de comoção quase-agressiva ou somente agressiva por parte de quem se solidarizou com a situação.

  Dentre outras possibilidades de debate e para além da máxima: “provar do próprio veneno”, a raiva e a indignação sobre a não-lamentação de alguns é um ponto  interessante para refletir algumas questões, já que os vários veredictos dados nos tribunais das redes sociais, casa que julga mais veloz-atroz que a própria celeridade da luz, necessitam, antes, de uma análise mais aprofundada que esteja atenta para recordar com honestidade, e em tempo, o discurso de ódio que fundamenta as falas do tal candidato.          

Nesse sentido, talvez seja relevante antes de concluir a ideia pelo viés de um raciocínio raso, obscurantista e revanchista a respeito daqueles que não choraram junto com o candidato, pensar o porquê de determinados grupos e/ou indivíduos não se sentirem dispostos a demostrar solidariedade frente à situação.

 Não confundamos[propositalmente] apatia com apologia à violência.

 

. (por www.rioinformal.com/priscilla-rosa/)

Feminicídio

De acordo com o Mapa da Violência de 2015, no ano de 2013 foram registrados 13 homicídios contra mulheres, por dia, somando-se aí um total de quase cinco mil mortes por ano. O nome dado a esse tipo de crime, cuja a vítima é mulher, é feminicídio. Considerado hediondo, seu tratamento diferenciado não permite fiança, anistia ou indulto aquele que o pratica

O feminicídio tem raízes fincadas  no contexto da desigualdade de gêneros, sendo sua promessa fatal à vida das mulheres. É importante mencionar que está inserido no emaranhado das relações sociais onde a submissão, por meio de diversas formas de violências sobre corpos femininos, são “justificadas” frente a naturalização de históricos políticos, econômicos e culturais arbitrários.

Desde as notícias quem vem à publico desses assassinatos[e precisam ter a nossa atenção], passando, infelizmente, por aquelas sobre as quais o silêncio ergue castelos, precisamos mobilizar nossas reflexões e ações diante da perspectiva de banalização de comportamentos masculinóides, admitidos, via de regra, como “coisa de homem” por uma sociedade que cala o eco dos gritos de socorro: seja do quarto andar de grandes edifícios, seja das favelas e periferias.

Mulheres estão sendo cruelmente impedidas, abusadas, silenciadas, violentadas, estupradas e assassinadas por aceitarem a submissão que lhes é forçada ou por não aceitarem: existe ódio pelo corpo feminino e pelo seus modos de existir no mundo –  é sintomático. É sistemático.

Parem de nos matar!

. (por www.rioinformal.com/priscilla-rosa/)

Lançado romance “A Guerra do Sêmen”

Em 11 de maio de 1988, há 30 anos, o Rio de Janeiro parou por causa da marcha contra a farsa da Abolição realizada por mais 15 mil negros, mestiços e brancos que criticavam o fato de o negro ainda estar nas mais péssimas condições de trabalho e vida no Brasil. Interrompida pelo Exército, quando passava pelo monumento de Caxias, na Av. Presidente Vargas, perto da Central do Brasil, a marcha entrou para a história negra, pois, foi alvo da mídia nacional e internacional. Foi um dos maiores alertas contra a discriminação racial no Brasil. Em 1995, sete anos depois, durante as comemorações dos 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares, a marcha retornou, só que aconteceu em Brasília, reunindo novamente milhares de negros e mestiços, que pediram a promoção da política  de ações afirmativas pelo governo federal. (por www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

Babalorixa depõe no Café Cultura

Iniciado há 45 anos na casa de Zezito de Oxum, no Parque Amorim, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, Fernandez Portugal Filho, 68, babalorixá, babalâo, sociólogo e antropólogo, professor de Antropologia Cultural da Universidade de Havana, em Cuba, prestou hoje depoimento de duas horas para o programa “Café com História”, do Instituto de História da Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, coordenado pelas historiadoras Tânia Amaro e Thais Noronha.
Basicamente, Portugal, cuja casa fica no Estácio, no Rio de Janeiro, durante duas horas, se dedicou a resgatar suas lembranças do Duque de Caxias dos tempos do pai de santo Joãozinho da Gomeia, entre os fins dos anos 1960 e início dos 1970, onde ele conheceu e frequentou o terreiro da Gomeia, no bairro Independência.
A história de JG passa hoje por um processo de discussão de sua revitalização histórica em Duque de Caxias.
Segundo Portugal, o terreiro da Gomeia era enorme, e havia uma porta central de entrada. Lá dentro, o terreiro parecia uma grande arena de esportes, pois, tinha duas arquibancadas à direita e à esquerda, e no centro, um território amplo para o exercício dos ritos afro-religiosos.
Segundo ele, em seu depoimento no Instituto Histórico de Duque de Caxias, toda a periferia caxiense frequentava a casa, que se tornara uma referência nacional no assunto religiosidade afro-brasileira.
Portugal aproveitou o encontro para entregar nas mãos de Tania Amaro um convite para uma sessão espiritual no terreiro da Gomeia, em francês e inglês, que estava na sua coleção sobre o famoso babalorixá de Duque de Caxias.
Tânia e Thais vibraram com o presente.
O babalaô prometeu também levar para Caxias cópias dos jornais “ O Municipal” e “ A Solução”, que circularam naquela cidade, entre fins dos anos 1960 e início dos 1970, onde ele era colunista de assuntos religiosos.
As historiadoras agradeceram e reafirmaram que o material iria contribuir para o acervo da instituição.
Com Medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto (as mais altas condecorações da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e Câmara de Vereadores da cidade), Portugal disse que Duque de Caxias sempre teve uma cara afro-brasileira muito forte, e principalmente nordestina, devido ao processo migracional que tornou Caxias nos anos 1940-1950-1960, cidade fluminense preferida dos nordestinos.
Ele contou que prestou inúmeras consultorias espirituais para a TV Globo e conheceu o babalaô cubano Rafael Zamora Diaz.
Este foi o introdutor da cultura de Ifá no estado do Rio de Janeiro. Com essa amizade, acabou indo parar em Havana, Cuba, onde fez várias conferências sobre a religião dos orixás.
Por isso, os cubanos o selecionaram para ser professor de Antropologia Cultural na Universidade de Havana.
Nascido em Bonsucesso, criado na Penha, filho de um pai que era socialista, Portugal disse que chegou a ser preso pela ditadura militar ( 1964-1985), por ter criticado o então presidente da República, general Garrastazu Médici.
Ele o chamou de o “ carrasco azul Médici”.
A ditadura não gostou e pediu que ele fosse demitido do jornal, o que realmente aconteceu.
Nos cultos afro, o babalaô disse que conheceu todos os grandes sacerdotes da religião afro-fluminenses, principalmente Waldomiro de Xangô, de Duque de Caxias, o famoso Pai Baiano, e também Jorge de Yemanjá, Joãozinho da Gomeia, e vários outros sacerdotes da umbanda e quibanda da região da Pequena África.
Portugal escreveu mais de 20 livros sobre religião afro (abordando temas jogo de búzios, a língua yorubá, sistema de Ifá, sabão da costa, Yamis, perfis de orixás, meio ambiente), publicado por várias editoras.
Atualmente, está terminando de escrever o livro sobre as ervas na cultura yorubá, com mais de 500 páginas.
Ele criou também a editora Yorubana, no início dos anos 1980, onde produziu cursos, apostilas e documentos específicos sobre os ritos afro-brasileiros, obtendo grande sucesso com suas publicações detalhadas entre os adeptos da religião.
Portugal é palestrante em diversas universidades no Brasil e exterior, esteve mais de 14 vezes em Cuba e não tem conta das inúmeras viagens que fez a África.
Por falar nisso, em sua casa, no Estácio, existe um museu aberto: são mais de 2.000 peças africanas que ele mantém neste local.
Geralmente, é comum encontrar sacerdotes da Nigéria, Benin e Cuba em sua casa, no Estácio.
Nesta casa, cultua dois orixás raros como Oduduwa e Olokum.

(por www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

Um Sacerdote afro audacioso

Um dos sacerdotes afro mais audaciosos de todos os tempos.
Foi contra suas próprias regras espirituais e também contra as normas rígidas estatais em relação à pratica religiosa.
Assim, se tornou um homem legendário na história afro-brasileira.
Pai de santo de presidentes da República, de políticos, de artistas, de socialites, Joãozinho da Gomeia( 1914-1971) deixou marca impossível de ser superada na história afro-brasileira.
Além disso, foi precursor do movimento gay, nos anos 1950, quando desfilou no Teatro Municipal com fantasia da Rainha Cleópatra.
Por outro lado, tirou do candomblé tecidos baratos/pobres, entronizando tecidos caros/luxuosos nas roupas dos filhos de santo.
Também da África trouxe as roupas tradicionais usadas durante as festas da Gomeia Caxias, que, naquela época, ninguém sabia que existia, ou que não tinha acesso à África.
Foi acusado de estar desvirtuando o candomblé.
Não se incomodou com isso.
Era ariano, era um trator, ele sabia que estava fazendo história, pois, sacava, a mesmice dos outros.
Sacava que estava mudando o destino das religiões afro dali por diante.
Tanto que as religiões só começaram a serem conhecidas midiaticamente através dele.
Então, deixou a marca Gomeia para posterioridade.

Ana Rebouças com livro

Contei a história dele no livro “GomeiaJoão: a arte de tecer o invisível” (Centro Portal Cultural, RJ, 2017). O livro foi lançado  em 7 de julho de 2017. Além de várias personalidades, estiveram presentes ao lançamento a psicanalista Ana Maria Rebouças( foto) , gestora do acervo de André Rebouças.

Axé..

(por www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

Em tempos de copa: jogue como uma mulher argentina e faça um verdadeiro gol de placa.

Mulheres argentinas, nós gostamos de vocês,

Mulheres argentinas, faz mais um pra gente vê[1]

Na última quinta-feira, dia 14 de maio de 2018, numa sessão com duração de quase 22 horas, a Câmara dos Deputados da Argentina votou a favor da autonomia das mulheres, no que tange aos seus direitos plenos de cidadãs daquele país. Foi aprovado o projeto que  descriminaliza o aborto  até a 14° semana de gestação e prolongado o prazo para casos específicos, cuja a legalidade da ação já era garantida no país –  prevista pelo artigo 86 do Código Penal argentino, vigente desde 1912- em que se comprove tanto o risco de vida para a gestante, bem como as situações de estupro, permitindo, assim, a interrupção da gravidez .

Apesar da deliberação inicial de 129 votos dos deputados em favor da descriminalização do aborto, esta é apenas uma etapa do processo, considerando que o projeto deve, ainda, ser encaminhado ao Senado e a uma outra votação, submetendo-se, posteriormente, a possíveis sanções presidenciais.

Vale dizer que o projeto referente à descriminalização do aborto já havia sido levado ao Congresso argentino por sete vezes, porém nunca chegou a ser votado nesta mesma casa. Diante de iniciativa popular, agora, em 2018, a proposição chega à Câmara dos Deputados através da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito,  que se constituiu junto às colaborações  de diversos grupos e organizações argentinos.

A Campanha Nacional realizou diversas manifestações cujo emblema apresentava um lenço verde triangular usado por diversas mulheres militantes, como forma de simbolizar sua luta. No dia da votação, cerca um milhão de pessoas reuniram-se em frente ao Senado. Isso sem falar das  manifestações em outras localidades do país onde as cidadãs e cidadãos se mobilizavam na expectativa do resultado da votação.

No curso destes últimos protestos  que precederam a votação histórica do projeto de descriminalização do aborto, é importante destacar a presença e o poder de enfrentamento de Estefanía Cámera da Boa Morte, representante da Frente de Mulheres Afroargentinas, cuja a  fala contundente fundamenta-se  na perspectiva de medidas socioeducativas de promoção de políticas de saúde pública para as mulheres enquanto garantias de mais direitos para este grupo:

“Queremos uma Lei que garanta o direito ao aborto de forma segura e gratuita; uma lei para que o Estado garanta também a educação sexual e o acesso aos anticoncepcionais. Queremos que o aborto seja uma política de saúde pública para todas. Estamos convencidas de que o aborto legal contribuirá para construir uma sociedade mais justa, em defesa das pessoas mais vulneráveis, à altura do nosso tempo. O aborto é um direito legal que não pode ser negado”

[1]Paródia em cima da Música “Fio Maravilha”, de Jorge Ben.

. (por www.rioinformal.com/priscilla-rosa/)

Festa Nigeriana no Valongo

Por mais de três horas, o Cais do Valongo, no bairro da Saúde, na terça passada, ficou em festa, quando religiosos afro-cariocas recepcionaram a delegação de Sua Majestade Real, Adeyeye Enitan Babatunde Ogunwus, Rei de Ilé Ifé, na Nigéria.
Os nigerianos estão realizando um tour cultural pelo Brasil e estiveram em Salvador e Belo Horizonte, onde fizeram ritos, participaram de seminários e foram homenageados em centros culturais.
No Cais do Valongo – antigo local onde desembarcaram, no século XIX, cerca de 1 milhão de escravos vindos de diversas nações africanas-, o Rei de Ilé Ifé comandou ritos, abençoou crianças e fez uma cerimônia especial nas antigas pedras do cais, espalhando pó e soltando dois pombos em homenagem aos africanos que por ali passaram no século XIX.

A comitiva de sua majestade real era composta por babalaôs
Acompanhava a delegação diplomatas da Embaixada da Nigéria em Brasília.
Os africanos disseram ter gostado da recepção e prometeram retornar mais à frente.

 

 

 

 

 

 

 

 

(por www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

Sacerdote do Cerimonial

Eu estava sentado, numa beirada do Cais do  Valongo, aguardando a chegada do Rei de Ilé Ifé, na terça passada, por volta do meio dia.
O Rei de Ilé Ifé chegou num carro preto.
Outro carro estava atrás do carro do Rei.
Aí, apareceu esse cara, com dois instrumentos que pareciam cabaças nas suas mãos.
Ele tomou à frente do comitiva real.
Começou a cantar e tocar seus dois instrumentos.
Era um som muito peculiar, parecia sons das maracas, e aquilo empolgou o público presente ao Cais do Valongo.
Percebi o seguinte: esse cara era o sacerdote do cerimonial ritualístico.
Sem ele, o Rei não poria os pés no Valongo.
Ele agitava cada vez mais ao alto os dois instrumentos, criando um clima afro poderoso no Valongo.
Vi que meus pelos dos braços se arrepiavam.
Olhei para as pessoas ao meu lado.
Elas estavam sentindo o mesmo.
Acho que esse cara é uma espécie de sacerdote de confirmação do andar e da presença do Rei de Ilé Ifé em suas andanças mundo afora.
Isso aqui é um chute, mas nesse momento acho que vale.
Depois que ele terminou seu rito, o Rei de Ilé Ifé saiu do carro, e logo um guarda-sol, branco, grande, foi erguido, para abrigá-lo.
O sacerdote do cerimonial continuava conduzindo a comitiva para o local destinado aos yorubás, tocando seus dois instrumentos.
Me aproximei dele e olhei em seus olhos.
Senti que era um homem de muito conhecimento, que detinha informações fundamentais sobre a cultura yorubá….

 

(por http://www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

 

 

 

Nigeriana chama a atenção no Valongo

Chamou atenção do público a beleza e o charme da nigeriana Olori, sacerdotisa do culto da deusa Osun, na Nigéria. Ele cantou, dançou e conversou com os presentes. Conversei um pouquinho com ela. Perguntei pelo seu nome e ela resolveu escrever ele no meu caderninho de anotações. Depois, pousou para mim nessa foto. Em seguida, disse que estava gostando do tour cultural pelo país. Prometeu retornar ao Brasil. Muito bom.  (por http://www.rioinformal.com/carllos-nobre/)

 

 

 

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