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OBRAS DE ARTE E TEXTOS

Os verdes. As mutações que tanto significam em nossa vida. Os tons, os cheiros, os cantos, onde podemos ficar envoltos em sombra. E respirar. O lago, a brisa, o desenho da realidade de uma floresta quase intocada como a que vejo agora. O adeus a tudo que não esteja por aqui, o sim ao encantamento, ah, como é ele que sinto existir por dentro dessas árvores! Encontro? Reencontro? Sábia caixa de luz e som, útero da mãe Natureza, amparo. Sim, aqui gostaria de estar agora – e em muitos, inúmeros outros momentos.

 [Eliana Mora, 30/1/2014]

Art_Isaac Levitan

(por www.rioinformal.com/Eliana Mora/)

ANTIGAS CARTAS DE AMOR

ANTIGAS CARTAS DE AMOR

Queria ver certas flores
como lírios das cartas de um poeta
Assim, por certo,
eu as reconheceria,
pelo brilho desértico das pétalas
pelas asas escondidas
pelas letras tortas
adocicadas
..
[por tudo que dizias]

Eliana Mora, 03/2012

 

Art_Dante G. Rossetti

(por www.rioinformal.com/Eliana Mora/)

A Elegância do Artefato

Ela se demora observando as chiques vitrines de celulares na loja especializada em Informática.  Depois de muito indagar sobre o desempenho dos dispositivos e se encantar com o azul perolado de um deles, aponta-o como seu escolhido.  E pede um exemplar para sair na hora, pelos corredores do shopping, favoritando seus contatos e fotos.

A malha digital de que dispomos hoje se estica favoravelmente a todos os gostos.  Porém, não se enganem, não é o dispositivo que está sujeito ao indivíduo, mas o indivíduo é que, em verdade, traduz-se hoje em um escravo dos gadgets. 

O casamento homem-máquina vai bem, obrigada. Aliás melhor do que muitos casamentos entre humanos mundo afora.  Poderia ser feita uma pesquisa comparando o crescimento dos divórcios e separações com o desenvolvimento tecnológico dos smartphones.  O risco de que estejam crescendo nas mesmas proporções é grande. Enquanto o convívio pessoal exige esforço, dedicação e carinho, relacionar-se com e através da máquina é um passatempo que demanda, no máximo, certo zelo para que não caia no chão, na água ou nas mãos de um pickpocket.  De resto é uma opção quase que óbvia nesses dias de tanta informação e tão pouca profundidade.

A identidade contemporânea parece estar, cada dia mais, intrincada com uma cultura virtual.  Seja pelas medias sociais, pelos canais individuais e coletivos que proliferam como moscas ou pelas plataformas de informações frequentes e instantâneas, viver em consonância com a múltipla oferta tecnológica se constitui em uma nova forma de realização e felicidade.   São milhares de estudos de casos e sobre os quais as academias de todo o mundo se debruçam.   A teia não encolhe.  Antes tece novas e novas redes que se imbricam em torno de um sujeito tão poderoso quanto estereotipado.

Taí o século XXI que não nos deixa mentir.  Um amálgama de questionamentos e reflexões para muitas e muitas noites frias regadas a queijos, vinhos e discussões filosóficas.  Para fazer a história fluir e influenciá-la a, de repente, parar e olhar em volta. Como a madame do dispositivo perolado.

(por www.rioinformal.com/cristina-lebre/)

Mensagem de Natal

O dia chegou pleno depois dessa noite de Natal.  Amanheceu como sempre.  Enquanto muita gente dormia após uma noite esticada pela ceia, os presentes, a reverência ao Deus que se fez carne em favor de nós, o sol já chegava inteiro.  E eu pensei que não há o que fazer para impedir o dia de suceder a noite, nem os segundos de pararem de passar.

Daqui a pouco a manhã já dará lugar à tarde, e a noite chegará outra vez, trazendo a escuridão e novamente o sono.  E eu me deparo pensando que não existe poder humano capaz de deter o tempo, nem as tempestades, nem o céu de se pintar de cinza ou de azul.

Por isso há que se levantar.  E por mais macias que sejam as camas, por mais quentinhas que estejam as cobertas, por mais protegido que seja o ninho, há que  ir.  Dizer não à indolência.  Clamar por coragem.  E se houver medo, ir com medo mesmo (palavras sábias de minha primogênita).

Existe gente na rua, que não tem cama, nem quarto, nem cobertas limpas.  São gente, do mesmo jeito que nós.  Sentem fome, frio, medo, angústia, desejos, riem, choram e precisam de dignidade.  Exatamente como nós. Há que se lembrar sempre disso.

Existe um saber esperando para ser descoberto, jardins para serem plantados, águas para serem canalizadas, corpos esperando abraços, sorrisos, compreensão.

E existe perdão a ser espalhado, relações a serem restauradas, uma demanda enorme de ações em cuja direção basta dar o primeiro passo.  E o segundo.  E todos os outros até chegar.

Existe amor para ser doado, desculpas para serem pedidas e ofertadas, pois nenhum de nós jamais nasceu perfeito e o único que veio mostrar a perfeição foi fustigado, rejeitado até a morte, e morte de cruz.  Quem não tem pecado atire a primeira pedra.  E o mundo terá tantas pedras quanto mais perdão for disseminado.

Os pássaros cantam sempre.  E não há rifles, balas nem bombas capazes de os fazerem calar.  A natureza resistirá , até que Ele volte, e busque Seus amados.

Quem não quer ser um deles?  Quem não quer gozar as delícias do amor do Pai?  E se não souber como é isso não importa, importa sentir os cabelos sendo acariciados pela Mão alva e entender o mais belo “eu te amo” que jamais se imaginou ouvir.

O dia sucede a noite mesmo no Natal, no Ano Novo, e em todas as festas que só terminam no meio da madrugada, essa que é criança, e que em breve dará lugar ao altivo e colorido dia, à maravilhosa, e ao mesmo tempo, ofuscante luz.

Clarice dizia que o tempo se conta em anos.  Humildemente eu digo que o tempo se conta nos voos das gaivotas e nos sons dos pássaros-cantores mais afinados.  O tempo se conta em gestos, carinhos, abraços e sorrisos.  Este nosso tempo se conta em ação.  Ação em direção ao propósito do divino em nós.  Ação em direção ao bem, à alegria e à plenitude da integração com o Deus de amor por meio do amor entre humanos.

O dia logo se tornará em noite.  E amanhã a vida continua, e o trabalho chama.  Não importa se um ente querido partiu, sempre dizemos que a vida continua, e é verdade, daqui a pouco o ápice da dor passa e a gente aprende a prosseguir.

Os poderosos arrogantes não conseguem controlar nem a cronologia do tempo nem muito menos o sol, a chuva, o calor ou o frio.

Por isso levante.  Sorria.  Saia de seu casulo e estenda seus lábios e seu corpo em direção à ação.  Até que o sono o avise que está na hora de, novamente, cerrar os olhos, aja.  Leia.  Estude.  Viaje.  Trabalhe.  Ajude.  Sorria.  Agradeça.  Confie.  Ame.  Só o que você escolhe importa.  Só o caminho que trilha dará em algum lugar, bom ou ruim.  Opte pela simplicidade.  Pela luz.  Pela pureza da criança e do animal.  Por uma varanda com plantas.

Natal é nascer de novo, e pedir a direção ao Pai.  Natal é perdão.  É saber que somos todos uma só espécie.  É entender que as diferenças foram feitas para enriquecer, nunca para separar.  É buscar o sobrenatural do amor em nós.  Feliz Natal a todos!

(por www.rioinformal.com/cristina-lebre/)

EM TUDO SEMPRE, POESIA

Jamais me recusei
queria sim aprender
fazer vibrar em minha vida as mesmas notas
dos pássaros que ouvia em seus ensaios
sob as árvores em que [tempo havia]
descansei

jamais me recusei
nunca mesmo pensei em não me dar
doei-me como pude
estratégias, confesso
não as tinha
não era uma mulher de estratagemas

palavras sim
palavras sempre usei
palavras são sempre sentimento e poesia
e para mim era tão natural ser poesia
que a incorporei

na mente
no corpo
nos vincos da alma
fiz dela o elo elemental
entre meu ser

e a Vida


Eliana Mora, 1982
Resgatado e reescrito em 13/07/2010

Art_Henri Matisse

(por www.rioinformal.com/eliana-mora/)

OBRAS DE ARTE E TEXTOS

Apenas um sonho. Por isso mesmo coberto de mistério. Lírico, quase espiritual. Lendário. Profundo e sensível. Obra que tonteia. Não passa sem chamar atenção. Escorre, e mostra. Algo? O quê? Não sei ao certo. Nossa própria identidade. Ou sua criação. [El, 07/11/17].

Art_Yves Tanguy

(por www.rioinformal.com/eliana-mora/)

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