Menu

Fevereiros

A força de Maria Bethânia no documentário Fevereiros, de Marcio Debellian, é de arrepiar aos mais céticos e emocionar até as lágrimas aos que acreditam na força da religiosidade. O filme se passa durante a preparação e o desfile da Escola de Samba Mangueira, no Carnaval de 2016, cujo enredo foi a cantora baiana e que alcançou a vitória na Marques de Sapucaí.

Em paralelo ao carnaval do Rio de Janeiro, o filme acompanha Maria Bethânia na preparação da festa de Nossa Senhora da Purificação, na Bahia. Com imagens de arquivos e depoimentos de amigos e familiares da cantora, o filme é uma grande homenagem e um respeitosa reverência a Bethânia, com sua energia e determinação, com o sincretismo religioso que vai do catolicismo ao candomblé e sempre acompanhado pela poesia e a boa música. Uma cultura de um Brasil maravilhoso e tolerante – o que precisamos muito nesse momento. 

Estamos em fevereiro, corra para o cinema.

Colette

O filme Colette, estrelado por Keira Knightley e dirigido pelo inglês Wash Westmoreland, conta a história real da romancista francesa Sidonie Gabrielle Colette, que viveu no interior da França nos anos 20 até se casar com o galanteador Willy, que ganha a vida publicando livros de “escritores fantasmas”. Ninguém faz melhor um personagem de época como Keira, que tem em seu currículo A Duquesa, Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação, entre outros. E mais uma vez ela lá está ela.

A história dessa mulher moderna para a sua época é fascinante. Embora ela fosse dominada pelo marido que ganhava dinheiro e fama com as histórias que a própria Colette escrevia, a grande virada acontece quando ela resolve declarar sua autoria nos textos e a sua liberdade sexual. O filme só não é melhor por ser falado em inglês. Uma história toda passada, contada e vivida por franceses não deveria ter o inglês como idioma.

Se fosse um filme francês, ah… que delicia seria.

Assunto de Família

O filme japonês Assunto de Família foi o grande ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes no ano passado. Dirigido por Hirokazu Kore-eda, o filme está em cartaz em várias salas na cidade.

Ver um filme japonês sempre causa um certo tipo de estranhamento por conta da língua e as enormes diferenças de vida, de situações, de cultura, enfim, uma vida baseada na filosofia oriental. O filme nos mostra em tese a história de uma família, com personagens incríveis, cheios de afeto e que fazem pequenos furtos para sobreviverem e se vangloriam desses furtos. Eles são pobres, moram todos juntos em uma pequena casa e parecem felizes, mas quando um incidente acontece toda essa história é desconstruída. Um bom elenco onde as duas crianças se destacam pela sensibilidade, beleza, amor e enorme naturalidade de interpretação. Um filme realmente surpreendente.

O RETORNO DE MARY POPPINS

Paulo Libonati: Crítico de Cinema

Para quem faz parte da minha geração era difícil separar Mary Poppins de Julie Andrews.

Julie dava a seus personagens sua própria identidade, e assim ficava uma coisa meio indissolúvel separar um do outro,

Acontece que neste retorno pude observar que Mary Poppins não estava mais vinculada a Julie.  Emily Blunt conseguiu dar-lhe uma nova aparência, embora mantendo fielmente seu conteúdo, o que não deixa de ser um ganho para as três.

O filme é um conto de fadas moderno, como já tinha sido o original, sendo que a ideia de não ser uma regravação foi a coisa mais acertada dos estúdios Disney: um show de cores, vozes, sons que dão o clima mágico e saudosista do filme. As crianças agora eram filhos do menino da primeira versão, que junto com sua irmã, atual tia das crianças, curtiam os ensinamentos e encantamentos do mundo de Mary Poppins.

Um elenco de primeira, com participações especialíssimas de Maryl Streep e Colin Firth, Dick van Dick, o galã da versão original que faz uma breve participação, com direito a cantos e sapateados, no papel de dono do Banco onde trabalhava o pai das crianças e cujo Presidente, sobrinho deste banqueiro, queria tomar seu imóvel, dado em hipoteca .

Como não podia deixar de ser, tudo se resolve favoravelmente no final, numa bela lição de vida dada às crianças, com a intermediação de Mary Poppins em todos os momentos.

Triste apenas, segundo matéria lida em alguns jornais, saber que Julie Andrews não quis participar da nova versão, tendo sido convidada a atriz Angela Lansbury para fazer o papel a ela destinado, o que fez muito bem no auge de seus noventa e tantos anos.

No mais, corra ao cinema mais próximo e não deixe de aproveitar a oportunidade de se sentir pelo menos sessenta anos mais novo e curtir  essa deliciosa fantasia.

(por www.rioinformal.com/Paulo Libonati/)

Infiltrado na Klan

Sempre que tem filme de Spike Lee em cartaz é bom correr para os cinemas pois sabemos que tem coisa boa nas telas. Infiltrado na Klan é baseado na história real do policial Ron Stalworth, interpretado magistralmente por John David Washington.

A história se passa nos anos 70, no Colorado, onde o policial negro Ron, se infiltra na Ku Klux Klan – uma das maiores organizações racistas dos EUA. Flip, o personagem de Adam Driver – o policial amigo e dublê de Ron, é quem participa das reuniões da “organização” pois é branco e passa a ter questionamentos sobre gênero, raça e religião que até então jamais havia pensado. Com uma trilha sonora que nos embala no meio das ações em estilo comédia leve, mas que encontra todo o espaço para fazer as mais duras críticas ao racismo, Infiltrados na Klan é um filme político, necessário e o que mais impressiona é a atualidade do texto e as atitudes dos personagens. Poderia ser hoje.

Bohemian Rhapsody

O filme Bohemian Rhapsody faz parte de um daqueles casos em que o ator incorpora o personagem de tal forma que a gente não sabe quem é quem. Temos vários exemplos de filmes/biografias com esse perfil, e Rami Malek, o ator americano de origem egípcia que interpreta Freddie Mercury – vocalista da banda Queen –  não foge à regra. Ele se jogou e se transformou no personagem integralmente. O filme é arrebatador, principalmente para aqueles que admiram a banda Queen, que mudou o cenário da música mundial nos anos 70 e que a maravilhosa trilha original embala o espectador durante todo o tempo.

O diretor Bryan Sing fez um trabalho incrível mas o que faz o filme ser tão arrebatador é a edição de imagens; perfeita! Alguns fatos foram contados de maneira diferente do original mas que não altera a genialidade e o talento da banda e, em especial, o de Freddie Mercury, uma figura marcante de voz poderosa e com uma trajetória de vida bastante irreverente. Um pouco de licença poética é normal acontecer nesse tipo de obra e aliás, a escalação dos atores para a banda é bem impressionante; eles são muito parecidos com os músicos verdadeiros.

É um filme para quem gosta de rock’n roll, para quem gosta do Queen e principalmente, para quem gosta de música boa.

O Grande Circo Místico

Paulo Libonati: Crítico de Cinema

Chega às telas como possível candidato ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro e não decepciona, pois tem todos os elementos que são necessários a uma boa apreciação pela Academia, que justifiquem uma indicação.

Conta uma história de amor que atravessa um século, de pai para filho, tendo como fio condutor um circo que passa por todas as fases possíveis, do sucesso ao fracasso e decadência que são impostos pelo progresso e toda a parafernália tecnológica que vem acoplada a ele.

Um elenco de primeira linha, com destaque para Jesuita Barbosa que faz o elemento de ligação entre todas as épocas do circo como mestre de cerimônias.

Os figurinos, os cenários , a fotografia são de altíssima qualidade e um fiel retrato do tempo.

As músicas de Chico Buarque e Edu Lobo são um capítulo a parte: um encantamento aos ouvidos. Cada uma mais bonita que a outra, embora seja BEATRIZ a melhor delas, pois consegue unir letra e música numa suavidade que faz bem a alma e ao corpo.

Voltando ao Oscar, depois de Central do Brasil, não conseguimos mais concorrer ao prêmio e acho, particularmente, que o Circo Místico tem características regionais que são valorizadas pelos membros da Academia, além de outros elementos que traçam um painel sócio-econômico-geográfico que sempre se percebe nas indicações de melhor filme estrangeiro, independentemente do país que ele representa.

Bruna Linzmayer, Juliano Cazarré, Mariana Ximenes, o franco-brasileiro Jean Castell e muitos outros bons atores, dão a intensidade que a história merece, através de suas magistrais interpretações.

No mais, e principalmente por isto, é um filme de Cacá Diegues!

(por www.rioinformal.com/Paulo Libonati/)

O Grande Circo Místico

Cacá Diegues estreou em grande estilo o seu mais novo filme de longa-metragem O Grande Circo Místico.  Em clima de malabarismo, música, piruetas e poesia a história baseada em um poema de 47 versos de Jorge de Lima escrito em 1930, foi transformada em roteiro pelas mãos do próprio Cacá e de George Moura. O filme começa quando um jovem aristocrata da família austríaca Knieps tem a oportunidade de escolher um presente e ele escolhe nada mais do que um circo. São 100 anos de histórias narradas pelo mestre de cerimônias Celaví  – Jesuita Barbosa – maravilhoso – o único personagem que não envelhece  – sobre a saga de uma família que vive sobre o picadeiro a cinco gerações.

A beleza das imagens na exuberância da fotografia de Gustavo Hadba, as canções originais de Chico Buarque e Edu Lobo, figurino, direção de arte, produção impecável e um elenco bastante diversificado, O Grande Circo Místico é magia e poesia, um lado Felliniano que Cacá trouxe para as telas e onde as mulheres retratadas no filme, nem sempre não são felizes. Exceto Beatriz – Bruna Linzmeyer – deslumbrante, que dá início a toda a saga da família circense e que termina com a família de Margarete (Mariana Ximenes) em um de seus melhores papéis no cinema.

O filme é uma belíssima pintura na tela.

Velho Guerreiro

Paulo Libonati: Crítico de Cinema

 Stepan Nercessian novamente interpreta o velho guerreiro, desta vez no cinema.

No teatro o sucesso foi total, mas a abordagem é totalmente diferente do que a do filme, pois este último tem recursos que o teatro não tem.

Mais uma vez deu um show, pois é práticamente uma incorporação do velho Chacrinha.

No filme, a história é bem mais completa, pois começa quando ele e mais três amigos foram contratados por um navio para fazer shows durante a travessia do Atlântico, rumo a Europa.

No meio do caminho estoura a segunda grande guerra e eles são obrigados a voltar ao Brasil.

Abelardo resolve ficar no Rio de Janeiro e tentar a vida como locutor de rádio, onde começa a sua carreira ímpar.

O filme mostra o casamento, seu relacionamento com a esposa e os filhos e aborda também o envolvimento com Clara Nunes, que quase lhe custou a separação.

Elenco maravilhoso, cenário e figurinos impecáveis, programa de primeira qualidade.

Não deixem de assistir e prestigiar o nosso cinema em mais uma grande produção.

(por www.rioinformal.com/Paulo Libonati/)

Scroll Up