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Foda-se

INTRODUÇÃO

(SEM KY)

O novo livro de João Paes Leme que estreou recentemente, demonstrando talento, tanto na construção de personagens quanto de uma atmosfera detalhada e de envolvente narrativa, subverte sua escrita anterior, com um dos mais sensuais relatos sob a forma que se convencionou chamar de crônica de costumes. Mas vai além.

Numa babilônica e extasiante Copacabana, apresenta personagens comuns, mas cujas peculiaridades ajudam a construir diferentes e ricas personalidades com suas psicologias próprias, seus desejos, suas pequenas e saborosas estórias. E, o que é melhor, suas sexualidades.

A descrição das práticas eróticas de Gení, Luci, Ernesto, Tonhão, PP, e muitos outros, nos evocam os desenhos do sátiro das HQs dos anos 50/60, Carlos Zéfiro e suas entumecidas aventuras, responsável pela iniciação onanista de várias gerações, e as pinturas transgressoras de Victor Arruda.

Ou os filmes de Carlo Mossy e Alfredo Sternheim.

Despreocupado com o rigor literário comumente encontrado na produção da escrita acomodada nos limites do bom comportamento, seu único objetivo – liberto das amarras do “bom gosto” oficial – é convidar o leitor a despertar a kundaline que habita em todos nós. E numa linguagem fluente e popular, sem barroquismos formais. Ou a Luz Del Fuego que arde na vida secreta das fantasias de todos os brasileiros.

O genial Nelson Rodrigues já escreveu que “se todos soubéssemos da vida sexual uns dos outros, ninguém mais se cumprimentaria.”

Um livro libidinoso e libertário. E oportuno para os dias que vivemos.

Luiz Carlos Lacerda, cineasta

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