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Homens cariocas: O que há em seus armários

 No semestre passado pedi aos meus alunos que saíssem às ruas e observassem como as pessoas se vestem em sua vida cotidiana, nas ruas dos seus bairros. Os resultados foram sensacionais. Entre eles, a forma… digamos… “padronizada” com que os homens cariocas se vestem. O repertório de roupas masculinas se mostrou bastante restrito, com poucas cores (em geral neutras) e combinações que se repetem. Poucos tons de azul predominam nas camisas e camisetas. Nao há quase estampas. Bermudas até os joelhos e, sobretudo aquelas com bolsos laterais, são a preferência nacional.

Crédito Gustavo Costa

O modo como esses homens escolhem se vestir no seu dia a dia pode ser uma pista para pensar sobre o comportamento e o perfil do homem carioca. Mas isso é papo para metro. E você, leitor do Rio Informal, como se veste no seu dia a dia? Já observou quantas blusas de cor azul você tem no seu armário?


(por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

Moda e dignidade! Porque a moda pode contemplar todos os corpos

Venho me tratando de um câncer de mama. A estimativa do INCA – Instituto Nacional do Câncer – foi de que em 2018, algo próximo a 60.000 casos seriam diagnosticados. O meu está entre esses 60.000. Essas mulheres irão se juntar a muitas outras que já foram diagnosticadas em outras ocasiões e que, portanto, estão em tratamento ou em remissão. A mastectomia ainda é a solução para pacientes portadoras de câncer de mama. O procedimento, além da remoção da mama, também prevê a remoção de gânglios que se localizam nas axilas. Por isso, mulheres mastectomizadas precisam ficar um bom tempo sem movimentar seu braço do lado operado, principalmente o movimento de elevá-lo como para vestir uma blusa. Com isso, durante o período em que essa mulher precisa trabalhar para recuperar os movimentos (com fisioterapia, por exemplo), as roupas abertas na frente são necessárias. Neste caso, as opções são as blusas com botões, chemises e vestidos abertos. Pouco antes da cirurgia visitei algumas lojas em Copacabana para garantir que tivesse um guarda-roupas sortido de blusas abertas com botão na frente para o meu período pós-cirúrgico. Com muita surpresa, vi como foi difícil conseguí-las, ou, pelo menos, encontrar blusas abertas na frente que tivessem um estilo. Ou seja, reféns da “moda” como uma forma de padronização da produção, quando buscamos uma alternativa, diga-se de passagem, nem tão diferenciada assim, nos vemos numa situação em que os repertórios das lojas não contemplam a diversidade de pessoas, gostos, as propostas individuais de vestir. Perguntei a uma vendedora e ela me disse apenas que modelos assim não faziam parte das suas coleções. Finalmente consegui comprar algumas blusas de coleções antigas e ainda recebi de uma amiga (a quem agradeço muito) uma doação de belas blusas coloridas que ela não usava mais.

Uma das blusas que recebi da minha amiga Ana Helena Lemos

Esta experiência me fez pensar na importância da indústria da moda para dar dignidade a pessoas que estão fora dos padrões vigentes: mulheres mastectomizadas, que passam por processos de quimioterapia, cadeirantes, anãs, com membros mutilados, idosas que querem roupas “para elas”. Felizmente o mercado vem se movimentando para beneficiar mulheres plus size. Moda também é dignidade! Designers, pensem nisso!

(por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

A roupa como objeto de afeto

Numa pesquisa que desenvolvi há algum tempo, tive a chance de conhecer uma interlocutora muito interessante. Não posso dizer o seu nome verdadeiro por razões éticas. Por isso vou chamá-la de Maria Clara. Do alto dos seus quase 70 anos, essa mulher me fez ver com mais profundidade aquilo que chamamos de “roupa de afeto”. Quem é que não tem em casa uma peça de roupa que não dá, não vende e não troca de jeito nenhum? Em geral são peças que acionam a memória afetiva: o vestido usado naquele dia em que o namorado propôs casamento, o biquini que usava quando ia à praia grávida do primeiro filho, a blusa que faz recordar um momento de vida alegre quando fazia faculdade de arquitetura. Essas roupas, para além do uso, se tornam contemplativas. Afinal, com a passagem do tempo, muitas são guardadas sem expectativa de uso futuro por vários motivos: não servem mais, não mais fazem parte do padrão de gosto da/o usuária/o, estão em condições de uso inaceitáveis para a/o ususária/o. Maria Clara, no entanto, foi além. Crítica do sistema de produção têxtil capitalista, ela evita comprar roupas novas. Para ela, suas melhores roupas são as camisetas que “herda” das filhas. Camisetas de algodão que tomaram a forma do corpo e ganharam o cheiro de sua prole. Que sensação melhor do que usar a roupa de alguém que a gente ama!- ela diz. E voce? Também guarda aquela roupa velhinha que não serve mais, mas que tem muitas histórias para contar?


(por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

Roupas, nossa produção mais amada!

Antes de começarmos nosso tour contemporâneo pelas ruas, vamos voltar bastante no tempo e lembrar do aparecimento  da vestimenta na história da humanidade.
Quando o ser humano se desenvolveu a ponto de andar sobre os dois pés (bipedalismo), suas mãos ficaram livres para modificar a natureza e produzir artefatos. Estima-se que o bipedalismo aconteceu há cerca de 3 milhões de anos, mas foi preciso que o cérebro humano se desenvolvesse a ponto de favorecer as habilidades manuais. O período Paleolítico (há cerca de 2 milhões de anos), portanto, é que marca o aparecimento dos objetos. É a chamada Idade da Pedra Lascada. Entre as transformações que os humanóides foram aprendendo ao longo desses milhões de anos, estavam o trabalho com o linho e com as peles dos animais. As mãos humanas, com as habilidades recém adquiridas faziam com que suas condições naturais para se tornassem vestimentas – ou algo parecido.
Alguns autores que estudam a história da indumentária costumam dizer que as roupas não surgiram apenas por questões utilitárias, ou seja, proteção para diferentes condições climáticas. Eu tendo a concordar com eles, pois interpreto a roupa como algo que nos define e nos representa mesmo durante a aurora da história da humanidade. Afinal, sabemos que povos que pouco ou nada usavam para se proteger (como os índios sul americanos, por exemplo) riscavam seus corpos com escarificações, pinturas corporais e outras marcas que lhes proporcionavam segurança ritual e identidade grupo. Há quem afirme que os adornos antecederam as vestimentas e trouxeram com eles propriedades simbólicas relevantes para que os bons pesquisadores busquem seus significados.
E você? Já parou para pensar qual roupa te representa? (por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

Ver e ser visto – coisa das cidades

Ver e ser visto – coisa das cidades

Os historiadores da moda nos contam muitas histórias, mas onde mesmo começou esse negócio de moda? A moda se tornou um fenômeno social, e isso não acontece da noite para o dia. Ou seja, não esperem encontrar a data de nascimento da moda. Porém… Temos um local: a Europa! Alguns fatores contribuíram para o surgimento da moda. Entre eles, o aparecimento das cidades. As cidades surgem a partir dos burgos, e os burgos dão origem a um segmento social bem conhecido, os burgueses. Mas vamos à nossa primeira história dentro da história da moda. Para isso, vamos viajar no tempo até a Idade Média!

Tem muita gente que chama a Idade de Média de Idade das Trevas. Embora não haja consenso entre historiadores, ela começou com a queda do Império Romano no século V e terminou no século XV, e as trevas eram atribuídas ao que muitos consideraram um período de retrocesso na história da humanidade quando comparada com a Antiguidade Clássica. Um dos retrocessos foi a retração das cidades que começavam a ganhar importância no período anterior à Idade Média. A chamada Idade das Trevas se constrói a partir do momento em que o Império Romano se fragmenta, fazendo emergir pequenos reinos, surgindo o sistema feudal, uma economia “fechada”, com um estilo de vida conformado nos limites das propriedades “protetoras” e normatizado pelo teocentrismo. Aqueles que se rebelavam contra esse estilo de vida eram expulsos dos feudos se tornavam uma espécie de mascates. Aos poucos, esses dissidentes foram fomentando novamente os embriões das cidades. Para quem gosta de ver e ser visto, o ambiente urbano é o que de melhor aconteceu para a história da moda! Nos próximos posts teremos mais histórias!!! (por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

As cidades e a Moda

As cidades e a Moda

A palavra burguesia tem origem no século XII. Eram aqueles que viviam nos burgos – os pequenos mercadores e artesãos. No século XVIII a burguesia dava nome a uma classe de empregadores das manufaturas e do comércio e fazia frente, como classe dominante, a uma nobreza decadente. A burguesia é fruto do ressurgimento das cidades, e o Iluminismo, uma filosofia que passou a dar liga às mudanças sociais que originaram a modernidade. O século XVIII, portanto, ficou conhecido como o “Século das Luzes”, e isso se deu, basicamente, por aquilo que o filósofo Emmanuel Kant chamou de libertação do homem de um estado de tutela – a incapacidade de utilizar o próprio entendimento. A religião era a resposta para todos os fenômenos “incompreendidos”. Essa era uma resposta ao teocentrismo que caracterizou a Idade Média. Ou seja, o homem e sua racionalidade passam a ser centrais para entendimento do mundo, desafiando os dogmas religiosos. Com tudo isso a noção de indivíduo se fortalece e nada como a individualidade num ambiente urbano para consolidar a moda. Mas as coisas não eram tão fáceis assim. Numa queda de braço entre essa burguesia e a nobreza então decadente, as chamadas leis suntuárias se impõem. Aos burgueses não era permitido o uso de determinados tecidos e ítens do vestuário. O que então começou a acontecer? Simples! Aqueles nobres falidos começaram a se casar com as filhas daquela abastada burguesia para possibilitar às burguesas os usos e abusos daquelas roupas, cores, tecidos e acessórios que só eram permitidos à nobreza!!! (por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

As ruas versus os editoriais de moda

As ruas versus os editoriais de moda

Quem se interessa por moda e vestuário não pode deixar de conhecer o trabalho do antropólogo britânico Daniel Miller. Ele observa a moda e o vestuário da perspectiva da cultura material, ou seja, a roupa como uma produção humana com suas práticas de uso. Em um dos capítulos do seu livro Stuff(traduzido para o português como Trecos, troços e coisas), ele diz que anda pelas ruas de Lodres e não vê pessoas vestidas como nos editoriais de moda.

Você já observou como as pessoas se vestem nas ruas do seu bairro? Já morei em diferentes cidades e sempre procuro fazer esse exercício – contrapor o que os editoriais de moda ou os especialistas nos recomendam, com o que, de fato, as pessoas usam nas suas interações cotidianas. Propus este exercício para os meus alunos de design de moda. Os resultados são surpreendente. Ou não! Comece a observar como as pessoas se vestem no seu bairro! (por www.rioinformal.com/solange-mezabarba/)

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