PARASITA

Parasita, do sul coreano Joon-Ho Bong, ganhou o Globo de Ouro de melhor filme de língua estrangeira. O diretor – através de uma tradutora – disse para os americanos que eles deveriam ver além das legendas pois tem muitos filmes de outras línguas sendo feitos e assim descobririam um mundo maravilhoso. E hoje saiu o resultado dos concorrentes ao Oscar 2020: Parasita concorre a melhor filme e a melhor filme estrangeiro.

O filme, em cartaz nos cinemas, é interessantíssimo e duro.  Uma família de quatro pessoas – todos desempregados –  vive em um porão apertado no submundo da cidade O único sustento é dobrar caixas de embalagens de papelão para pizzas, até que o filho vai dar aulas de inglês para uma moça de uma família muito rica. Aos poucos o filho vai infiltrando toda a sua família na casa em que trabalha. É um filme que incomoda pois acentua as diferenças sociais e suas barreiras, com uma belíssima fotografia e as sutilezas que só os asiáticos são capazes de ter. Um filme que a gente assiste e fica pensado nele por muitos e muitos dias. Imperdível.

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A odisseia dos tontos

Para fechar 2019 com chave de ouro, o filme argentino A Odisseia dos Tontos, de Sebástian Borensztein (estreou em novembro), tem o melhor roteiro dos filmes estrangeiros em cartaz. Com um elenco excepcional estrelado por Ricardo Darín e seu filho Chino Darín (filho no filme e na vida real) a história se passa em uma pequena cidade da Argentina, distante de Buenos Aires, em que um grupo de amigos se une para formar uma cooperativa agrícola em 2001, período de uma grave crise econômica no país.

É um filme muito bem humorado e melancólico ao mesmo tempo, mas que nos faz torcer pelo grupo de amigos – todos muito reais – como se estivéssemos em uma partida de futebol. Vida longa ao cinema argentino, a Odisseia dos Tontos é um filme imperdível!

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O Festival do Rio começou…

O Festival do Rio teve início no dia 9 de dezembro com uma noite polêmica recheada de diretores, atores, produtores, técnicos e o seu fiel público. Foi necessária uma grande campanha de financiamento coletivo para que o Festival pudesse acontecer. Com o desmonte da cultura cada vez maior por conta dos governantes do nosso país, a ajuda das pessoas de Norte a Sul do Brasil (mais de 2000) tornou possível sua realização.

A atriz Mariana Ximenes, apresentadora do Festival, subiu ao palco com um “vestido protesto” impresso de cartazes emblemáticos do nosso cinema: filmes do Cinema Novo e da atualidade. Uma forma de dizer ao mundo o absurdo que a Agencia Nacional de Cinema – ANCINE – fez, ao mandar retirar de suas paredes e do seu site, todos os cartazes dos filmes brasileiros produzidos.

O filme escolhido para a noite de abertura, Adoráveis Mulheres, da diretora americana Greta Gerwig – baseado no romance Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, de 1868, conta a saga de uma família de quatro irmãs, durante o período da Guerra Civil dos EUA. Um elenco primoroso e um forte concorrente ao Oscar.

O festival segue até o próximo dia 19, com programação intensa e mostras de filmes para todos os gostos. Basta consultar o site para conferir essa programação.

Em tempo, o cinema brasileiro não será destruído jamais!

www.festivaldorio.com.br

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A vida Invisível

(Por Teresa Souza) O livro de Martha Batalha, A vida invisível de Eurídice Gusmão, transformou-se em uma livre adaptação no filme de Karim Ainöuz, A Vida Invisível. Em um cenário do Rio de Janeiro nos anos 50, a história das duas irmãs – Eurídice e Guida – que tem suas vidas separadas por conta da intolerância dos pais, nos é contada através das cartas trocadas entre as duas. Mulheres fortes que se apagaram ou se reconstruíram com os percalços da vida. O filme ganhou o prêmio da Mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes desse ano e será o representante do Brasil para filme estrangeiro, buscando uma vaga no Oscar.

Karim é um diretor sensível quando se trata do ser humano – basta dar uma olhada em sua vasta e linda filmografia. Dessa vez temos um melodrama com muita textura em suas imagens e muito sentimento. Carol Duarte e Julia Stockler estão incríveis e a emoção aumenta com a entrada em cena de Fernanda Montenegro. Não percam.

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Maria de Caritó

A diversidade do cinema brasileiro é algo que nos engrandece com personagens tão queridos do nosso Brasil. Maria do Caritó, de João Paulo Jabur, interpretado magistralmente por Lília Cabral é um exemplo de um filme alegre, colorido, divertido e que emociona. 

Em uma pequena cidade do Nordeste, envolta em religiosidade, pureza, o mundo do circo e a solidão de um companheiro, Maria de Caritó nos conquista com um filme popular em sua busca por um grande amor. Ela completou 50 anos e continua virgem e prometida para São Djalminha. A trilha sonora, o figurino, a direção de arte e um elenco com destaque para Juliana Carneiro da Cunha e Kelzy Ecard, nos faz acreditar que fábulas existem.

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Foi inaugurado em 5/11, por iniciativa de Cacá Diegues, o Cine Academia Nelson Pereira dos Santos

Foi inaugurado em 5/11, por iniciativa de Cacá Diegues, o Cine Academia Nelson Pereira dos Santos. Em uma ação conjunta da Academia Brasileira de Letras – ABL, da Cinemateca do MAM e do Espaço Itaú de Cinema será possível assistir filmes clássicos do cinema brasileiro em toda primeira terça-feira do mês, sempre às 18 horas.

Limite, de Mario Peixoto, de 1931, foi o escolhido para a abertura do Cine Clube. Após o filme um debate com o pesquisador Hernani Heffner, o presidente da ABL Marcos Lucchesi e o cineasta Walter Salles. 
E como disse Cacá, durante o discurso de abertura, Mario Peixoto deve ter sido o primeiro modernista brasileiro.

É um lindo filme e eu nunca vi nada mais moderno nas imagens, nos closes, na textura em tudo. Uma trilha sonora deslumbrante do norueguês Bugge Wesseltoft, que nos embala durante toda essa viagem de imagens. Sempre tive vontade de assistir Limite, o mais falado clássico do cinema brasileiro, e ontem realizei esse desejo graças ao hercúleo esforço em conjunto para o restauro da cópia.
E viva o Cinema Brasileiro!

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O Coringa

Acompanho o trabalho de Joaquin Phoenix desde que ele começou no cinema, mas o personagem que me marcou até então foi Theodore, o solitário escritor em “Her”, do diretor Spike Jonze, de 2014.  Fiquei encantada com o roteiro do filme e, principalmente, com a atuação de Phoenix.

E agora temos Joker – o Coringa, do diretor de Todd Phillips (diretor de comédias) que é para mim uma superação do ator de entrega a um personagem. E que personagem!!

O Coringa sempre foi o maior vilão do Batman, superando todos os outros com suas maldades. Agora podemos entender de onde vieram essas maldades, que na realidade foram construídas em cima daqueles que fizeram ou trataram mal o frágil Arthur Fleck. Sim, frágil emocionalmente e mentalmente por consequências da sua história de vida; excluído, invisível e mau tratado.

Essa nova Gotham City é a mais horrorosa de todas; muito mais suja, escura e violenta. E é por essas ruas, escadas e prédios, que o Coringa circula com sua risada doentia. Ponto para a espetacular direção de arte do filme. O clima é tenso e com a ajuda da trilha sonora você acredita que vai acontecer uma barbaridade a cada 5 minutos. Mas não é bem assim. A loucura do personagem (herói ou vilão?) é mostrada de tal forma que nós, telespectadores, perdoamos. Perdoamos?

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Hebe, a Estrela do Brasil

Hebe – A Estrela do Brasil, de Mauricio Farias, é um retrato do país nos anos 80 em um período bastante conturbado na vida da apresentadora. Hebe foi uma das maiores comunicadoras que já tivemos por aqui. Lembro de assistir ao programa dela na TV junto com minha mãe – que era fã da Hebe – assim como todas as donas de casa no Brasil naquela época. E mais tarde me peguei várias vezes assistindo sozinha.

Hebe Camargo era exuberante, alegre e polêmica. O filme se passa quando o Brasil estava saindo de uma ditadura militar e Hebe levanta sua bandeira da liberdade de expressão, contra o falso moralismo e com voz ativa da comunidade LGBT. Esses posicionamentos tiveram suas consequências.

Andréa Beltrão a interpreta de maneira magnífica. Aliás, Andréa é de uma entrega total em todos os seus personagens como a grande atriz que é. Com o filme podemos compreender um pouco sobre a censura da época, o rádio, a TV Bandeirantes, SBT, relacionamentos abusivos e o poder.

Não deixe de assistir Hebe, você também vai se encantar por ela.

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Bacurau

A força do cinema brasileiro está nas imagens, no som, nos diálogos e nos atores em Bacurau, filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles.

Um filme que mexe com todas as nossas emoções; um filme que encanta, desencanta, emociona, incomoda, horroriza e questiona – não à toa ganhou o prêmio do júri no último Festival de Cannes, na França e em outros festivais.

Bacurau é um pequeno povoado no sertão de Pernambuco com uma população menor ainda que descobrem terem sumiram do mapa. Com a perda do sinal da internet, drones vigiando a comunidade e corpos que aparecem crivados de balas, chegam a conclusão que estão sendo atacados. Mas quem é o inimigo daquele povo?

Bacurau é um bang-bang moderno e tecnológico, com lindas referências e/ou homenagens ao cinema novo e aos personagens do sertão nordestino.

Quarta-feira e sala lotada. Tenho cada vez mais orgulho do cinema brasileiro.

Em cartaz em um cinema perto de você.

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LIVRO, Palavras na Bolsa: por excelência, feminino e cidadão. Crônicas de Teresa Souza

 

Se a beleza genuína e o caos dilacerante do Rio de Janeiro foram a principal fonte de inspiração de seu livro de estreia, Palavra Carioca, esse horizonte agora se repete e se amplia, como se a autora passeasse pela cidade não apenas como a jornalista e organizadora de acervos do cinema nacional que é – o que a instiga a retratar e dar relevância a fatos e situações -, mas também como a mulher que se tornou: ciente do exercício de, cada vez mais, opinar literariamente sobre o que vê.

“Palavras na Bolsa não se trata de um livro feminista, mas feminino no que pode haver de mais interessante numa aparente contradição de delicadeza e crueza, onde ora deparamos com a calmaria de uma prosa poética, ora com a dureza de uma voz cidadã. Além disso, a obra traz Teresa em seu auge como escritora independente, em edição caprichada, daquelas que dá gosto a qualquer leitor de mostrar a todo mundo o que está lendo”, comenta o poeta e jornalista Jacinto Fábio Correa.

“A bolsa de Teresa não é a de valores. É a de valor, pois vale quanto pesa:o preço impagável das palavras”, diz o jornalista e escritor Luís Pimentel

“Teresa vê de perto e talvez seja esse o convite do livro Palavras na Bolsapara que leves, íntimos, a gente se entregue às vidas, esquinas e calçadas. E no desejo, alegria, susto, flanar pela cidade. Comenta a atriz, poeta e escritora Susana Fuentes.

Mais do que emocionar, Palavras na Bolsa acaba por trazer à tona lembranças cotidianas da vida de todos nós: um encontro inusitado, um cheiro renascido, uma paisagem já visitada mas surpreendentemente nova. Breves relatos de uma cronista dedicada a ir além da própria história.

Contatos – Teresa Souza

Tel.: (21) 99624-2654
Email: teresasouza@globo.com

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