Márcio Catunda com seus Haicais…

1

Os sinos da catedral
Cantam o meio-dia.
Depois, silenciam.

2

O ashram está em mim mesmo.
O satori é agora
Em pensamentos sucessivos.

3

Começa a chuviscar.
O guarda-chuva me anima
A seguir em frente.

4

O rio instila em mim
O frescor das águas
Que vêm nas ondas da tarde.

5

Os barcos vão e vêm
Na viagem circular
Da existência de tudo.

6

Para preencher as horas,
Que música existirá
Quando não houver mais dia?

7

Véu de chuva no céu.
Como desvestir-se
Do hábito de viver?

8

Em diversas direções
Riscam o céu
Os aviões.

9

Alta maré
No sonho da onda.
Desperto, sobressaltado.

10

As janelas dos prédios.
A tarde azulada.
O encanto de estar só.

11

Tarde de nuvens sombrias.
Silêncio nos ramos verdes.
Brisa do anoitecer.

12

Acima dos telhados,
Sem teto nem chão,
A casa do imponderável.

(por www.rioinformal.com/marcio-catunda/)

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

shares
Scroll Up