Michèle Corrêa da Costa

A Embaixatriz Michele Corrêa da Costa, é uma batalhadora da cultura e das artes no Brasil e no mundo.

Viúva do Acadêmico, Embaixador e escritor Sergio Corrêa da Costa, que entre outros escreveu o premiado livro, Palavras sem fronteiras e irmã do cientista e artista plástico francês Jacques Stemer, um dos mais criativos artistas plásticos da atualidade, dedica grande parte do seu tempo na organização de exposições e apresentação das obras do escritor e do artista.

Sergio Corrêa da Costa

(Rio de Janeiro (19 de fevereiro de 1919 - 29 de setembro de 2005)

“Embaixador, ensaísta e historiador, membro da Academia Brasileira de Letras, Corrêa da Costa é um cosmopolita refinado, um homem civilizado. Pertence a uma espécie em vias de extinção, a dos viajantes, cada vez mais submersa pela invasão das hordas de turistas. Fala diversas línguas, com igual elegância. Este conjunto de traços poderia caracterisar um homem, senão do passado, pelo menos de ontem. No entanto, é a globalização que o interessa, este fenômeno novo cujo controle é incerto e que acumula tantas nuvens sobre o futuro de nossas sociedades” por Maurice Druon, da Acadmia Francesa, no prefácio do livro Palavras sem Fronteiras).

,Seus estudos foram todos no Rio, inclusive o curso de Direito, na então denominada Universidade do Brasil, que concluiu em 1943. Sua formação completou-se com a pós-graduação em História, Economia e Geografia Econômica, na Universidade da Califórnia (1950) e curso na Escola Superior de Guerra (1951).

Iniciou a vida diplomática em 1939, galgando a carreira até o posto máximo de Ministro de Primeira Classe (1962). Iniciou suas funções no exterior como cônsul-adjunto em Buenos Aires, tendo ainda atuado em Roma, Londres, Nova York, como representante do Brasil nas Nações Unidas  e, finalmente, em  Washington DC.

Locais onde serviu

  • Buenos Aires, Cônsul Adjunto, provisoriamente, 1944; Segundo Secretário, 1944-46.
  • Washington, Segundo Secretário, 1946-48.
  • Los Angeles, Cônsul-Geral, 1948-50.
  • Nova York, Conselheiro, provisoriamente, da missão junto à ONU, 1953.
  • Roma, Ministro-Conselheiro, 1959-62.
  • Roma, Encarregado de Negócios, 1960.
  • Ottawa, Embaixador, 1962-66.
  • Londres, Embaixador, 1968-75.
  • Nova York, Embaixador, Missão junto à ONU, 1975-83.
  • Washington, Embaixador, 1983-86.

Outras Obras de Sergio Corrêa da Costa

  • As quatro coroas de Dom Pedro I (Prefácio de Osvaldo Aranha). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S/A, 1941; 2ª edição, 1942; 3ª edição, 1970; 4ª edição (A Casa do Livro), 1972; 5ª edição, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.
  • Pareceres do Conselho do Estado e do Consultor do Ministério dos Negócios Estrangeiros (1842-1889). Publicação do Ministério das Relações Exteriores, Imprensa Nacional, 1942.
  • Pedro I e Metternich – Traços de uma guerra diplomática. Editora A Noite, 1942.
  • A diplomacia brasileira na Questão de Letícia (Prefácio de Afrânio de Mello Franco). Publicação do Ministério das Relações Exteriores. Rio, 1942.
  • Pareceres dos consultores jurídicos do Ministério das Relações Exteriores – Índice Sistemático e Remissivo (1889-1941). Publicação do Ministério das Relações Exteriores, Imprensa Nacional, 1943.
  • A diplomacia do marechal – Intervenção estrangeira na Revolta da Armada (Prefácio de João Felipe Pereira, Ministro do Exterior do Marechal Floriano Peixoto). Rio de Janeiro: Editora Zélio Valverde, 1945. 2ª edição, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1979. Foi reeditada pelo Ministério do Exterior em 2018.
  • Every Inch a King – A Biography of Dom Pedro I, First Emperor of Brazil. New York: The Macmillan Company, 1950; 2ª edição, 1952; 3ª edição, 1964 (New York: Charles Frank Publications); 4ª edição, Londres: Robert Hale, 1972.
  • Artigos, discursos e palestras. Setembro 1983-1986. Embaixada do Brasil em Washington, 1986.
  • Mots sans frontières. (Prefácio Maurice Druon da Academia Francesa – Grand Prix de l’Institut de France) Éditions du Rocher, Paris, 1999.
  • Palavras sem fronteiras. Editora Record – Rio de Janeiro-São Paulo, 2000, 2ª edição, 2006.
  • Brasil, segredo de Estado. Uma incursão descontraída pela história do país. (Prefácio Eduardo Portella). Editora Record – Rio de Janeiro-São Paulo, 2001,  5ª edição, 2002.
  • Brésil, les silences de l’histoire. (Préface Jean Christophe Rufin. Avant-propos Eduardo Portella) Éditions du Rocher, Paris, 2003.
  • Crônica de uma guerra secreta – Nazismo na América: A conexão argentina. Editora Record – Rio de Janeiro, 2004, 2ª edição, 2005.
  • (Post Mortem) Le Nazisme en Amérique du Sud – Chronique d’une guerre secrète 1930-1950. Editora Ramsay. Paris, 2007, 2ª edição, 2008.
  • (Post Mortem) Chronicle of a Secret War – Nazism in the Americas: the Argentine connection 1930-1950.
  • Prefácios, discursos, conferências, entrevistas, artigos no Brasil e no Exterior.

Jacques Stemer

Francês nascido em Beirute, Líbano. Vive e trabalha em Paris.

Por Glória Ferreira
Doutora em História da Arte, curadora e crítica independente em http://www.academia.org.br/.

“Jacques Stemer é francês, nascido no Líbano e radicado em Paris, tendo, entre outros títulos, o Certificado de Estudos de Farmacologia Clínica e Farmacocinética da Faculdade de Medicina (Paris Salpetrière). Detentor de várias licenças internacionais de medicamentos, não vê “nenhuma diferença entre a criatividade científica e a artística”

Com várias passagens pelo Brasil, entusiasma-se pela luz tropical, considerando-a “uma cor em si mesma e, sobretudo, oferece, antes de mais nada, a magia das cores. Uma luz como esta, palpável, do Brasil é, para mim, a quarta cor, além das três primárias: azul, vermelho e amarelo”. Na França, seus desenhos são mais escuros. Passa a desenhar sobre os classificados do jornal O Globo, deixando frases e palavras aparecerem, fazendo parte dos seus desenhos.

Sobre a sua poética, Stemer afirma que nada é premeditado, apenas meditado: “Entretenho um diálogo com meu trabalho, com o suporte de papel, com a tela, com as formas e as cores. Também não estou jamais inteiramente só com a obra que elaboro; nós somos dois, nós não nos separamos”.

Palavras sem fronteiras

Sergio Corrêa da Costa

A primeira montagem da Exposição, com recursos tecnológicos de última geração, foi realizada nas dependências da Biblioteca Rodolfo Garcia, da ABL, no ano de 2007. A mostra foi remontada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo em 2009/2010, com concepção tecnológica e museográfica inovadoras. No Itamaraty, Palavras sem fronteiras – Mídias convergentes foi montada pela terceira vez, rompendo fronteiras através do idioma e contribuindo para a integração dos povos.

O livro Palavras sem fronteiras, de Sergio Corrêa da Costa, com prefácio de Maurice Druon, da Academia Francesa, foi originalmente publicado na França com o título Mots sans Frontières, em 1999, quando o autor recebeu, por recomendação do Institut de France e indicação da própria Academia, o Grande Prêmio da Fundação Prince Louis de Polignac, entre muitos outros, destacando-se o Prêmio Richelieu Senghor, concedido em 2005.

A última delas, Palavras sem fronteiras – Mídias convergentes, ocorrida em março e abril de 2018, de acordo com os responsáveis pela remontagem, tinha por finalidade mostrar o trânsito de diferentes palavras por diversas línguas, mantendo o significado original. “Pontes perenes da identidade entre povos e nações une fronteiras, etnias, memórias, tradições e valores, num imenso caleidoscópio universal”.

Nas palavras do professor Cláudio Moreno “Sérgio Correa da Costa, em seu Palavras sem Fronteiras (Ed. Record, 866 páginas), resolve nos mostrar a coleção de palavras internacionais que juntou ao longo de sua vida como diplomata de carreira: são três mil palavras e expressões, provenientes de 46 idiomas, que são compartilhadas irmãmente pelas oito principais línguas do Ocidente…Muito mais importante, para este livro, foi sua atividade diplomática, sua vida em embaixadas de primeira classe como Londres e Washington, sua participação nas Nações Unidas — todas elas formas douradas de exílio, que terminam desenvolvendo, nos diplomatas mais talentosos, aquela mesma intuição dos exilados e dos apátridas multilíngües, habituados a viver a tensão de várias línguas…”

Dois e Muitos de Jacques Stemer

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